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Leiria comemora os 20 anos da descoberta do Menino do Lapedo

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19 Novembro 2018

Os 20 anos da descoberta do Menino do Lapedo vão ser comemorados em Leiria com um programa que visa a valorização de um dos mais importantes achados arqueológicos em Portugal, numa parceria entre o Município de Leiria e a Direção-Geral do Património Cultural.

Uma conferência internacional em Leiria, uma exposição em Zagreb, na Croácia, a produção de um documentário, a realização de trabalho científico e de investigação são algumas das iniciativas previstas no programa que se estende entre 2018 e 2019.

Com o tema “O Menino do Lapedo. 20 Anos Depois”, a Conferência Internacional terá lugar nos dias 15 e 16 de dezembro, com um conjunto de palestras na sala do capítulo do Museu de Leiria. Estarão presentes conferencistas de renome internacional ligados ao estudo do Paleolítico e da Evolução Humana, no dia 15, e a conferência inclui uma visita guiada ao Vale do Lapedo, ao Centro de Interpretação e ao Abrigo do Lagar Velho, no dia 16.

O programa conta com comunicações de especialistas de reconhecido mérito, entre os quais João Zilhão (Universidade de Barcelona, Espanha, e UNIARQ, Portugal), Erik Trinkaus (Universidade de Washington, St. Louis, EUA), Juan Luis Arsuaga (Universidade Complutense de Madrid, Espanha), Johannes Krause (Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, Alemanha), Eugénia Cunha (Universidade de Coimbra, Portugal) e Paul Pettitt (Universidade de Durham, Reino Unido).

Participarão também nos trabalhos Cidália Duarte (DRCN, Portugal) e Pedro Ferreira (ICNF, Portugal), bem como os responsáveis por projetos que visam o estudo do Paleolítico na região de Leiria e Joan Daura (UNIARQ, Portugal), para a orientação das visitas no Lapedo.

Paralelamente, o Museu de Leiria promove o lançamento da publicação infanto-juvenil O Menino do Lapedo (dia 11 de dezembro), bem como, a oficina O Rebelde do Lapedo, uma atividade pedagógica destinada ao público infantil e/ou famílias (dia 15 de dezembro).

No âmbito das comemorações, o Abrigo do Lagar Velho e o Menino do Lapedo estarão em destaque numa exposição, intitulada The Lapedo Child and other stories from Lagar Velho Rock Shelter (Leiria, Portugal) na Croácia, no Museu de Arqueologia em Zagreb. Esta exposição estará patente entre 2 de dezembro de 2018 e 24 de fevereiro de 2019, e desenvolve-se em diversos suportes, incluindo dois filmes, que promovem o achado e o trabalho científico desenvolvido em seu torno. Esta é apresentada em articulação com uma mostra sobre a arte rupestre do Vale do Côa, intitulando-se conjuntamente Two major archives of Portugal´s Prehistory – The Côa and the Lagar Velho archaeological sites.

Estas comemorações estão a ser organizadas conjuntamente pelo Museu de Leiria (Município de Leiria) e Laboratório de Arqueociências da Direção-Geral do Património Cultural. Conta, deste modo, com o apoio do Ministério da Cultura, incluindo o do Museu Nacional de Arqueologia, e é uma parceria institucional com o ICOM, GEEVH e APOM. Tem tido igualmente o apoio da Embaixada de Portugal, na Croácia.

Recorde-se ainda que, integrados no âmbito das comemorações, foram realizados, no Verão, trabalhos de campo liderados pelo Laboratório de Arqueociências da Direção-Geral do Património Cultural, para investigação no Abrigo do Lagar Velho, envolvendo uma equipa internacional.

O Vale do Lapedo, situado em Santa Eufémia, a cerca de 10 quilómetros de Leiria, é um local de grande interesse natural e cultural, localizado numa região predominantemente rural.

O Abrigo do Lagar Velho situa-se no Vale do Lapedo, em Leiria, um vale cársico encaixado, com uma paisagem fortemente marcada pela presença de abrigos sob rocha, de grutas, e de encostas muito íngremes e paredes rochosas verticais. O vale evidencia-se pelas magníficas características naturais, destacando-se a sua forma em “canhão” que rasga o maciço calcário, um dos maiores e mais interessantes de Portugal, erodido ao longo de centenas de milhares de anos pela ribeira do Sirol.

Em 1998, a descoberta do Abrigo do Lagar Velho, e particularmente do esqueleto Lagar Velho I (fóssil LV I), vulgarmente conhecido como Menino do Lapedo, datado de cerca de 29.000 anos, constituiu um acontecimento marcante no seio da paleoantropologia internacional. A relevância da sepultura foi atestada, desde o início, por se tratar do primeiro enterramento Paleolítico escavado na Península Ibérica. Esta foi e ainda é, inequivocamente, uma das mais relevantes descobertas do Paleolítico Superior português, a par do complexo de gravuras rupestres do Vale do Côa.

Neste vale foi construído o Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho, que dá a conhecer aos visitantes os resultados da investigação realizada no sítio arqueológico do Abrigo do Lagar Velho e a sua contextualização na história da evolução humana.

As características naturais desta área facilitaram a preservação da paisagem, pouco humanizada, até aos nossos dias. No interior do estreito vale, com cerca 1,5 quilómetros de extensão, existem apenas três casas associadas a antigas estruturas moageiras - moinhos de cereais e lagares.

As características singulares deste género de formação geomorfológica propiciam a preservação da flora e fauna autóctone. No caso do Lapedo podemos observar alguns exemplares da comunidade biológica peninsular mais antiga - mata mediterrânica, destacando-se algumas espécies típicas como o Carvalho Cerquinho (Quercus faginea) e o Medronheiro (Arbutus unedo).

Em 1993 o Município de Leiria, em colaboração com associações ambientalistas da região, propôs a classificação do Vale do Lapedo pelas suas qualidades ambientais. O Abrigo do Lagar Velho foi classificado como Monumento Nacional, em 2013.

Programa

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