Ana Maria Amaro apresentou conferência “Do misticismo à diversão popular: as sombras chinesas”
No passado dia 12 de Agosto, Ana Maria Amaro, apresentou no Edifício do Banco de Portugal a conferência "Do misticismo à diversão popular: as sombras chinesas".
Se o tema da conferência, só por si, atraía as atenções, a distinta convidada que a realizou, levou ao edifício do Banco de Portugal muitas pessoas cujo interesse pela cultura chinesa, ultrapassa as fronteiras do espaço e do tempo.
Ana Maria Amaro mostrou-se muito sensibilizada pelo carinho que, conforme afirmou, recebeu por parte da Câmara Municipal de Leiria, nomeadamente do Vereador da Cultura, Gonçalo Lopes, em relação a quem demonstrou grande empatia.
De seguida, revelou a todos os presentes, o quanto o imaginário aliado à curiosidade pelo que é desconhecido nos pode fazer esquecer tudo o que se passa à nossa volta para "beber" as palavras de quem tanto sabe e tão bem o transmite aos outros.
Falando da "sombra" que muitos povos, de certo modo, ainda associam a "assombração", referiu que a sombra se opõe à luz, assim como a vida é o oposto da morte e, através do imaginário e crenças de muitos povos, a sombra é vista como vida para além da morte.
Mencionou ainda, o impacto das sombras nos primeiros homens e o seu grande significado para os monges budistas.
Na China a sombra é tratada como algo de mágico, presente nas lendas, na filosofia e nos poemas de grandes poetas, como Li Bai, considerado o "príncipe" dos poetas chineses.
No princípio, o Teatro de Sombras apareceu ligado ao povo das aldeias como forma de entretenimento que proliferou e, durante a Dinastia Ming teve o seu apogeu, "entrando" no palácio real pela mão das mulheres, que de início não podiam assistir nem aparecer nestes espectáculos.
As figuras do teatro de sombras, feitas de pele de burro tratada, recortada e depois pintada representavam essencialmente importantes guerreiros e belas figuras femininas, todos com uma forte carga de simbolismo associado, tanto através da cor, como dos adereços.
Cada figura do teatro de sombras era montada por sete partes. Cabeça e silhueta, podiam separar-se e ser trocadas entre figuras e, a noção de patriotismo, estava sempre presente nas histórias e lendas contadas através do teatro de sombras. A carga dramática que opunha o bem ao mal, surgia a cada momento da apresentação e, muitas vezes, as figuras ficavam destruídas tendo o actor de as meter dentro de água para assim "afogar os maus espíritos", que caso contrário, lhe trariam grande azar.
Enquanto pelo público passava o exemplar de uma figura do teatro de sombras chinesas, bem como um libreto, Ana Maria Amaro aludiu à importância destes libretos. Explicando o seu conteúdo e significado, também mergulhados em simbolismo, terminou dizendo que "A importância do símbolo é fundamental em qualquer figura de teatro. Para além do que se vê, está o que não se vê…o que está oculto!".
Em representação da Autarquia, a Vereadora Lurdes Machado ofereceu a Ana Maria Amaro uma pequena lembrança, a qual, por sua vez, presenteou a Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira com alguns exemplares de livros da sua autoria, bem como um CD sobre o tema abordado, que ofereceu aos presentes na sala.
Ana Maria Amado
Professora Catedrática Jubilada ISCSP-UTL e Presidente do Instituto Português de Sinologia (criado em 2007), Ana Maria Amaro é uma sinóloga que há mais de 45 anos estuda a China, bem como a história de Macau e que possui mais de uma dezena de livros publicados.
Dia 16 de Setembro, pelas 18h30, o edifício do Banco de Portugal receberá o Dr. Guilherme Valente para a apresentação da conferência "Macau – Uma Revisitação Sentimental".
Esta será a última de um ciclo de três conferências que integram a programação paralela à exposição "Macau, encontro de culturas", patente ao público no Edifício do Banco de Portugal até ao próximo dia 20 de Setembro.
Leiria, 16 de Agosto de 2010
