Moinho do Papel
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Moinho do Papel, porque foi o primeiro edifício onde funcionou a primeira fábrica de papel conhecida em território nacional, e, provavelmente, em toda a Península Ibérica.
Leiria terá sido, assim, o primeiro sítio do país a fabricar papel e uma das primeiras regiões portuguesas onde a arte de imprimir (tipografia) se implantou.
Inicialmente, o edifício terá sido um local onde se fazia a moagem de cereais.
Só em 1411, é concedido, por D. João I, o alvará a Gonçalo Lourenço de Gomilde para fabrico de papel, surgindo a primeira indústria do género em Portugal e permanecendo a única até meados do séc. XVI.
Foi, assim, que, em 1496, nasce em Leiria uma das mais importantes publicações desse tempo, com o nome de "Almanach Perpetuum", da autoria de Abraão Zacuto.
Aqui encontramos uma compilação e explicação das tábuas de orientação celeste, fundamentais nas demandas marítimas por altura dos Descobrimentos, nomeadamente nas viagens até à Índia (1496) e ao Brasil (1500).
Para além de papel, produzia também ferro, serrava madeira e também pisava burel e, mais tarde, voltaria a funcionar como moagem de cereais (milho, trigo e descasque de arroz).
Na segunda metade do séc. XIX, António Caseiro terá adquirido o espaço, que se manteve na família até 1999, ano em que a Câmara Municipal comprou o edificado.
Ainda no séc. XX, juntou-se a produção do azeite, com a introdução no espaço de um lagar de prensa tradicional, que antes serviria para a secagem do papel.
Em suma, o edifício teve um grande peso na economia medieval e moderno, aproveitando a energia hidráulica, obtida a partir do rio Lis, para o fabrico do papel e para a farinação.
A recuperação do Moinho do Papel foi projetada pelo arquiteto Siza Vieira, funcionando como espaço museológico desde 2009.
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