Vale do Lapedo
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O Vale do Lapedo situa-se na União das Freguesias de Santa Eufémia e Boa Vista, a cerca de 13km de Leiria.
Caracteriza-se por valores geológicos, morfológicos, arqueológicos, culturais, paisagísticos, ecossistémicos e biológicos notáveis.
Encontra-se integrado no inventário de património geológico de relevância nacional, possuindo um ecossistema único, com comunidades biológicas (flora e fauna) particulares, quer em Portugal, quer na Península Ibérica.
💡 Abrigo do Lagar Velho
É um abrigo que se apresenta como uma plataforma alongada, estendendo-se ao longo de mais de 50m.
Tem várias reentrâncias, com destaque para o denominado Testemunho Pendurado (preenchido com sedimentos que embalam vestígios arqueológicos de ocupações sucessivas há 24 mil/26 mil anos) e para a que serviu de proteção ao enterramento infantil (ver Criança do Lapedo).
A configuração do abrigo foi-se alterando ao longo dos tempos, não só devido à acumulação de sedimentos, mas também à degradação contínua das palas que serviram de teto aos grupos humanos.
Com abrigos sob rocha, foi uma zona ocupada durante milénios por distinas gerações humanas.
A sua descoberta em 1998, a par do esqueleto (ver Criança do Lapedo), constituiu um acontecimento marcante para a paleoantropologia internacional e para o estudo da fitogénese humana.
É uma das mais importantes descobertas do Paleolítico Superior Europeu, a parte da arte rupestre no Vale do Côa.
Em 2013, o Abrigo do Lagar Velho foi classificado como Monumento Nacional, pela sua extrema importância para a arqueologia e biologia evolutiva humana.
💡 A Criança do Lapedo
A escavação do esqueleto foi feita com extrema minuciosidade e rigor na exumação e registo de cada osso detetado.
A sua maior parte foi encontrada na posição original, tal como foi sepultado, e, perto dos ossos dos pés, foram encontrados ossos de animais, em concreto de veado.
Depois de estudos paleopatológicos, verificou-se que, até à data da sua morte, a Criança do Lapedo era saudável, sem quaisquer lesões durante o seu crescimento.
Com características arcaicas e modernas, o esqueleto parece reforçar a hipótese de que o desaparecimento, por absorção e não por extinção, dos últimos Neandertais terá resultado de um longo processo de interação com os homens anatomicamente modernos.
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A escavação minuciosa da sepultura permitiu a reconstituição do ritual de enterramento.
Depois de escavar uma pequena fossa e queimar ali um pequeno ramo de pinheiro-silvestre, a criança foi embrulhada numa mortalha tingida com ocre vermelho.
A cabeça estava um pouco inclinada para a esquerda e os pés bem juntos, enquanto os braços se estendiam ao longo do corpo, com a mão direita sobre a anca do mesmo lado.
As pernas encontravam-se ligeiramente fletidas.
Junto ao pescoço, foi recolhida uma concha de um bivalve marinho, que integraria um colar.
A recolha de 4 dentes de veado perfurados junto aos fragmentos do crânio sugere a existência de uma touca ou de um diadema.
Estes dados demonstram que, durante o Paleolítico Superior Inicial, uma criança de 4 anos era já objeto de um ritual fúnebre.
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Atualmente, o esqueleto da Criança do Lapedo encontra-se devidamente acondicionado, em local que garante a sua preservação.
Mas é possível ver uma réplica à escala real no CIALV - Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho.
Réplica essa elaborada pelo Politécnico de Leiria, a partir de técnicas forenses que permitem reconstruir, com elevado grau de exatidão, o aspeto original da Criança, apenas com base nos vestígios do crânio e do maxilar inferior.
ℹ️ Se quiser saber mais sobre a história do Lapedo e a Criança do Lapedo, visite o CIALV.
