Leiria cria Centro de Diálogo Interculturas
O Município de Leiria e a Santa Casa da Misericórdia pretendem criar um Centro de Diálogo Interculturas, que irá funcionar na Igreja da Misericórdia, templo que foi construído em 1544 sobre a Sinagoga da comunidade judaica de Leiria que ali existia antes.
Este é um dos 12 projetos âncora, entre os 25 que integram as Rotas Sefarad, considerado "vital" para o sucesso da Rede de Judiarias de Portugal, cujo financiamento foi apresentado na última semana em Lisboa pelo Secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier.
Constituídas com o objetivo de valorizar a identidade judaica portuguesa no diálogo intercultural, as Rotas de Sefarad integram, no caso de Leiria, a perspetiva da confluência de culturas com a revitalização das memórias judaica e cristã.
A recriação da tipografia da família Orta, onde foi impressa pela primeira vez em Portugal uma obra de caráter científico, o "Almanach Perpetuum", ou tabelas astronómicas, de Abraão Zacuto, assim como a memória da própria Santa Casa da Misericórdia, serão a base do projeto.
Com um objetivo cultural, ecuménico e turístico, prevê-se, posteriormente, a concretização do Centro de Diálogo Interculturas e ainda a delimitação do antigo bairro judeu com sinalética adequada aos espaços, havendo ainda a pretensão de marcar a presença, ao longo dos séculos, de três importantes religiões em Leiria.
A criação de um Centro de Diálogo Interculturas é, assim, justificado pela coexistência do Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, que se tornaram uma marca de desenvolvimento e de multicuralismo da região até hoje, graças ao acolhimento e contributo cultural e económico de várias comunidades migrantes.
A Rede de Judiarias de Portugal candidatou as Rotas Sefarad ao programa EE A Grants, que conta com uma forte participação da Noruega, mas também do Luxemburgo e do Lichenstein, e que aprovou um financiamento global para este projeto de âmbito cultural e turístico de cerca de quatro milhões de euros.
No futuro, este projeto poderá vir a ser alargado, fixando as memórias multiculturais de Leiria, que se estenderão a outros vultos de Leiria, como é o caso do poeta, cristão novo, Francisco Rodrigues Lobo ou do Padre Joaquim Carreira, que salvou dezenas de pessoas de origem hebraica durante a 2.ª Guerra Mundial
