Raul Castro defende agravamento de penas para incendiários
O Presidente da Câmara Municipal de Leiria Raul Castro defendeu ontem o agravamento da moldura penal do crime de fogo posto, como forma de dissuadir a prática destes atos, durante a cerimónia do Dia Nacional do Bombeiro Profissional, que decorreu na Praça Paulo VI, em Leiria. Na ocasião, o autarca recebeu a medalha de mérito da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais.
Após ter prestado homenagem aos bombeiros que perderam a vida no combate aos incêndios, Raul Castro alertou para a necessidade de existir um ordenamento efetivo do território e de serem adotadas medidas preventivas e uma ocupação criteriosa da terra. "É urgente resolver estes problemas, bem como reforçar a vigilância e fiscalização e acabar com a plantação indiscriminada de eucaliptos."
Durante a sua intervenção, o autarca pediu ainda ao Secretário de Estado da Administração Interna, Filipe D’Ávila, a abertura de candidaturas que permitam a aquisição de equipamentos para os bombeiros e proteção civil, como equipamentos de proteção individual, viaturas, videovigilância florestal, pontos de água, abertura de caminhos e limpeza de florestas.
O Presidente da Câmara Municipal de Leiria alertou ainda o Secretário de Estado para o deficiente funcionamento da central de emergência 112, desde que foi centralizada em Lisboa. "As pessoas chegam a estar mais de 15 minutos à espera para serem atendidas e para a chamada ser passada para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes", denunciou.
Já Fernando Curto, Presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), revelou que foi elaborado um ante projeto, que vai ser discutido no dia 17 de setembro, destinado a aprovar a uniformização das carreiras dos bombeiros profissionais. Desde o conteúdo funcional, horário de trabalho, avaliação SIADAP, cartão de identificação, a fardamentos e seguros.
Filipe Lobo D’Ávila, Secretário de Estado da Administração Interna, confirmou que está em curso um processo de revisão legislativa. "O Ministério da Administração Interna (MAI) está empenhado na resolução dos problemas dos bombeiros profissionais", afirmou. Contudo, esclareceu que muitas das questões referidas na intervenção de Fernando Curto não são da responsabilidade do MAI.
O governante aproveitou para esclarecer que, apesar de se viverem tempos difíceis em termos financeiros, houve um aumento dos meios em 2013, nomeadamente a aquisição de equipamentos de proteção individual que foram distribuídos a cerca de 15 mil bombeiros do dispositivo.
"Agora, é necessário repensar a forma como olhamos para a prevenção e implementar medidas a título excecional. E é também necessário reequacionar o trabalho dos bombeiros, pois são eles quem conhece melhor o terreno. Só em conjunto conseguiremos encontrar as soluções para enfrentarmos os problemas", afirmou Lobo D’Ávila.
