Vereadora lamenta lentidão do processo de despoluição do Rio Lis
Isabel Gonçalves, Vereadora do Ambiente da Câmara Municipal de Leiria, lamentou ontem que o processo de despoluição da Bacia Hidrográfica do Lis se esteja a prolongar há demasiado tempo, já que ainda falta concretizar a construção da Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ETES). As críticas foram deixadas durante a sessão de apresentação do livro "A Oikos e o Rio Lis, vinte anos de percurso", que decorreu no Centro de Interpretação Ambiental.
"Sabemos que há vontade dos atores locais em resolver esta situação, mas só pode ser resolvida com a vontade do Ministério da Agricultura e do Ambiente, que tem de ser parceiro neste projeto", afirmou Isabel Gonçalves. A autarca salientou ainda a necessidade de o sector suinícola, que considerou "importantíssimo para o concelho", fazer parte da solução, e não do problema.
A Vereadora do Ambiente deixou, assim, o apelo para que finalmente se veja "luz ao fundo do túnel", em alusão a um artigo jornalístico publicado no ano em que a Simlis foi constituída (1999), que era associada a uma "luz ao fundo do túnel" no processo de despoluição da bacia hidrográfica do Lis. Isabel Gonçalves referiu ainda a importância dos contributos dos municípios neste processo, nomeadamente através da construção de redes em baixa, e da Oikos, pelo trabalho que tem desenvolvido em defesa da bacia hidrográfica do Lis.
Nuno Carvalho, Presidente da Oikos e um dos autores do livro, afirmou que, ao longo destes 20 anos, a associação ambientalista reuniu com quase todos os ministros e secretários de Estado do Ambiente, à exceção da ministra Assunção Cristas, à qual foi pedida uma reunião há um ano e meio, que continua sem resposta. E deu conta que a Oikos conseguiu resolver problemas técnicos nos bastidores, que não foram dados a conhecer à opinião pública. "O importante é que os problemas se resolvam."
O ambientalista reconheceu ainda a importância da Câmara Municipal de Leiria (CML), ao financiar as análises que a Oikos faz todos os anos à água do Rio Lis, na "ordem dos milhares de euros", além de ter apoiado a edição do livro. "Sempre dissemos o que tínhamos a dizer, independentemente de a CML ser parceira do nosso projeto. Nunca sofremos pressões. Sempre houve respeito mútuo. Mesmo quando fomos mais duros."
Já Mário Oliveira, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Oikos e outro dos autores do livro sobre os 20 anos de percurso da Oikos, explicou que a água do Rio Lis é recolhida para análise em 15 pontos diferentes, entre os quais no Rio Lena, Ribeira da Caranguejeira, Ribeira dos Milagres e Ribeira da Aroeira. "Há locais que são considerados maus, mas os piores resultados aparecem noutros pontos, não maus, mas péssimos", garantiu. "Nem sempre o mau da fita era o mau da fita. Havia o mau da fita e o muito mau da fita."
Ainda em relação aos resultados das análises, que podem ser consultadas no livro, Mário Oliveira alertou para a gravidade dos resultados. "Há números que deviam ter dois zeros e têm quatro e outros que entram no domínio do milhão, e não do milhar", lamentou. "É a água que temos e sem água não vamos a lado nenhum."
João Nazário, diretor do "Jornal de Leiria" a quem coube a apresentação do livro, manifestou a sua admiração pelo trabalho desenvolvido pela Oikos, que considerou ser uma associação que esteve sempre à frente no tempo e que teve uma influência determinante na melhoria da qualidade da água do Rio Lis, pelo lobby que tem exercido. Lamentou ainda a falta de envolvimento da comunidade no combate por este tipo de causas, quando "o que se passa no país diz respeito a todos".
