“A Fala do Tronco”, de Sofia Silva, inaugura a 30 de maio na Villa Portela
A exposição “A Fala do Tronco”, da artista Sofia Silva, inaugura no próximo dia 30 de maio, pelas 16 horas, no Centro de Artes Villa Portela – Edifício dos Laboratórios Criativos. A mostra contará com a participação do artista convidado Alexandre de Magalhães e com co-curadoria de Ana David Mendes.
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O projeto resulta de uma residência artística desenvolvida ao longo de quatro meses nos Laboratórios Criativos da Villa Portela, na sequência do desafio lançado a artistas para a documentação das árvores centenárias da instituição, sob o mote “Sem flash, sem obturador, sem câmara”. Foi neste contexto que Sofia Silva concebeu e amadureceu “A Fala do Tronco”.
A exposição nasce de um acontecimento marcante: a passagem da tempestade Kristin, que atingiu severamente o distrito de Leiria na madrugada de 28 de janeiro de 2026, provocando a queda de dois cedros-do-Atlas centenários existentes no jardim do Centro de Artes Villa Portela.
Partindo dos vestígios deixados pela tempestade — troncos, raízes, fungos, líquenes, folhas, cinzas, serradura e solo — Sofia Silva desenvolve uma instalação multidisciplinar centrada em práticas de fotografia experimental, processos fotográficos sustentáveis e criação de biomateriais. A artista transforma a matéria orgânica em elemento ativo de criação artística, explorando novas possibilidades de relação entre imagem, natureza e memória.
A mostra reúne quimigramas, cromatografias do solo, cianotipias, antotipias, objetos escultóricos e suportes orgânicos produzidos a partir de celulose bacteriana, propondo uma reflexão sobre ecologia, fotografia e sustentabilidade.
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Um dos núcleos centrais da exposição parte da técnica da cromatografia do solo e de outros materiais, utilizada para revelar indícios do microbioma terrestre. Através deste processo tornam-se visíveis padrões, vestígios e redes subtis de comunicação entre árvores, fungos e sistemas radiculares, conduzindo o visitante a uma reflexão poética e sensorial sobre inteligência ecológica, interdependência e os modos invisíveis de relação que sustentam o mundo natural.
“A Fala do Tronco” propõe igualmente uma reflexão crítica sobre a herança da fotografia e sobre a urgência de práticas artísticas mais sustentáveis, recuperando processos fotográficos lentos, artesanais e efémeros como gesto de resistência ao imediatismo tecnológico contemporâneo.
A exposição, patente ao público atá 30 de agosto, integra ainda uma colaboração com o artista Alexandre de Magalhães, autor das fotografias de grande formato apresentadas na mostra, incluindo uma obra inspirada na personagem “Log Lady”, da série Twin Peaks, de David Lynch. A peça resulta da encenação e ativação de um colar de folhagens do tronco de Melaleuca, espécie arbórea australiana existente no parque da Villa Portela, evocando dimensões simbólicas, ritualísticas e proféticas associadas às árvores e à paisagem.
Mais do que documentar uma catástrofe natural, “A Fala do Tronco” procura imaginar novas possibilidades de regeneração, simbiose e continuidade entre humanos, plantas e ecossistemas invisíveis. cartaz
