António Varela: Arquitecto pintor “modernista”
Filho de uma família com tradições na actividade comercial da cidade, António Jorge Rodrigues Varela (Leiria, 1902 – Lisboa, 1962) frequentou o Liceu Francisco Rodrigues Lobo e, financiado pelo empresário e coleccionador Agostinho Fernandes, cursou Arquitectura na Escola de Belas-Artes do Porto, formando-se em 1924.
Iniciou a sua actividade como arquitecto em Leiria, em colaboração com Narciso Costa no Atelier Técnico de Arquitectura e Decoração, e passou também pelos serviços técnicos da autarquia.
Foi, no entanto, em Lisboa que desenvolveu os seus mais significativos trabalhos, tendo projectado edifícios e intervenções urbanísticas do Minho ao Algarve.
Foi autor e co-autor de edifícios que marcaram a história do modernismo português, entre outros a Casa da Moeda (1933-1937), trabalho realizado em parceria com Jorge Segurado. Destacou-se no desenho de edifícios industriais ligados ao sector conserveiro, entre os quais a Fábrica de Conservas de Peixe, n.º 6 da Algarve Exportador Lda. (AEL), construída em 1938, em Matosinhos.
Como observa Hugo Nazareth Fernandes: “António Varela procurou definir-se em primeiro lugar como pintor”, – e, acrescentava, por vezes, ‘modernista’”, mas rapidamente abandonou a ideia de uma carreira nessa actividade. Tal como os restantes Nós, foi professor das Escolas Industriais, neste caso da Escola Industrial de Marquês de Pombal e da Escola Industrial Machado de Castro, em Lisboa.
Segundo Hugo Nazareth Fernandes, coube ainda no seu “idealismo modernista” uma via simbólica, uma vontade de reintegração neopitagórica que parece confluir com o imaginário mítico-simbólico de outros autores, o que encontramos de modo mais visível na Casa da Rua de Alcolena, em Lisboa.
Sandra Leandro – curadora da exposição
