Candidatura de Leiria a Capital da Cultura vai assentar em dinâmica de parcerias
O coordenador do grupo de missão da candidatura de Leiria a Capital da Cultura, João Bonifácio Serra, defendeu sexta-feira na Assembleia Municipal de Leiria a necessidade de ser consolidada uma dinâmica sustentada de adesões e de parcerias institucionais à candidatura, considerando que a natureza colaborativa do processo será fundamental para o seu sucesso.
“Antecipamos que o cenário da concorrência entre cidades portuguesas com a mesma ambição será exigente, pelo que o nosso desafio principal é garantir a prevalência comparativa das nossas capacidades assentes em valores pertinentes e sólidos”, disse o antigo líder do projecto Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, acrescentando que “um dos elementos essenciais dessa solidez é sem dúvida a natureza colaborativa do processo que vai ser desencadeado”.
Numa apresentação aos deputados municipais do trabalho que está a ser feito no arranque do processo para a apresentação da candidatura de Leiria, João Bonifácio Serra defendeu ainda a necessidade de gerar e consolidar uma dinâmica sustentada de adesões e de parcerias institucionais, motivada pela ambição da candidatura e percepção dos seus objectivos.
Na sua intervenção, considerou que a “dimensão colaborativa" do processo deverá ter o selo da Assembleia Municipal, com um acompanhamento de muito perto e regular, a exemplo do que aconteceu em Guimarães.
Na intervenção, o coordenador do grupo de missão, e também docente no Instituto Politécnico de Leiria, realçou que o trabalho deve começar pela realização de um diagnóstico cuidado e partilhado dos pontos fortes e menos fortes de Leiria nos aspectos que a qualificam para uma candidatura deste tipo.
João Bonifácio Serra explicou que o processo formal de candidatura só deve ocorrer em 2020, realçando o trabalho a fazer até lá, como a necessidade de “mapear os recursos disponíveis no território que venha a ser referenciado pela candidatura, desejavelmente Leiria e a sua região envolvente”, nomeadamente os recursos criativos, ou seja, artísticos e patrimoniais, técnicos e humanos, físicos e organizacionais.
“Em função do diagnóstico que produzirmos, teremos de estabelecer, com todas as entidades que operam no espaço público da cultura, da educação, e da criação, um programa de reforço das vantagens e superação das desvantagens que detetarmos”, disse, acrescentando que este programa constitui o elemento central de um plano estratégico que será apresentado a todas as entidades parceiras.
Só então, defendeu, fará sentido criar uma equipa de projecto que se juntará ou substituirá o actual grupo de missão, em 2020.
Entre as incumbências do actual grupo figura também alguma diplomacia externa, disse, destacando ainda as vantagens de estabelecer parcerias institucionais que alargarão o leque de embaixadores da candidatura de Leiria.
Depois da formalização da candidatura, previsivelmente em 2020, seguir-se-á uma fase de apresentação de projectos em concreto, prevendo-se que a decisão do júri internacional ocorra quatro anos antes de 2027, ou seja em 2023.
Após a entrada formal na candidatura, será necessário elaborar um primeiro ‘draft’ do programa cultural, prever e acompanhar os programas preliminares dos equipamentos considerados necessários, das obras e regeneração que se torne imperioso assegurar, e propor um modelo de financiamento e gestão do projecto, isto no período entre 2020 e 2023.
A esse grupo caberá defender a candidatura de Leiria perante o júri internacional que atribui o título Capital Europeia da Cultura (CEC).
No caso de Leiria sair vencedora, seguir-se-ão três anos de preparação, de 2023 a 2026, um ano para fazer acontecer a CEC 2027, ou seja, três anos para ultimar intervenções urbanistas e contratar equipas de gestão, para encomendar criações e fazer a promoção nacional e internacional do evento, e para desenvolver e articular as participações locais e iniciar a monitorização e avaliação do projecto.
Todavia, ressalvou, o trabalho não se esgota em 2027. “Há um pós CEC tão relevante como o período anterior, será preciso cuidar do legado, da absorção dos impactos, de normalização do que para todos os efeitos foi um ano excepcional. Há, em suma, que garantir a continuidade do investimento e das mudanças concretizadas”, disse.
“Estamos hoje com um pé no primeiro degrau um de uma imensa escadaria. Importa ter clara a sequência dos patamares por que teremos de passar. Haverá certamente momentos de pausa, de alguma incerteza, de revisão, de apelo a novas energias, de reponderação e de revitaliação do projecto”, disse, garantindo que Leiria poderá, para já, contar com a determinação da sua autarquia, com a expectativa favorável de várias instituições, e com a vontade de colaboração de diversas organizações culturais que fizeram ouvir a sua voz, que serão consultadas e cuja cooperação independente e crítica não é dispensável.
“E pode contar com o empenho e com a isenção e espírito de serviço publico deste grupo de missão de que tenho a honra de fazer parte”, garantiu.
Recorde-se que além de João Bonifácio Serra, o grupo de missão é composto por Acácio de Sousa, Helena Brites, Joaquim Ruivo e Paulo Lameiro.
A Capital Europeia da Cultura foi lançada em Atenas em 1985, como uma iniciativa intergovernamental. No entanto, desde 2005, a nomeação das cidades passou a estar englobada no âmbito comunitário.
Segundo o site da União Europeia, para as cidades escolhidas trata-se de uma grande oportunidade para a regeneração urbana, promoção internacional, aumentar a vida cultural citadina e a atracção turística, sendo a seleção das cidades resultado de uma análise detalhada de um conjunto de critérios definidos pelas instituições europeias.
Os objectivos são a valorização da riqueza e da diversidade das culturas europeias, contribuindo para um maior conhecimento mútuo dos cidadãos europeus.
É desejável que a iniciativa, as estruturas e capacidades criadas neste âmbito sejam utilizadas como base para uma estratégia de desenvolvimento cultural sustentável nas cidades em questão, garantindo os efeitos a longo prazo da manifestação "Capital Europeia da Cultura", refere o site Eurocid.
Este ano, as Capitais Europeias da Cultura são Donostia-San Sebastián (Espanha) e Wroclaw (Polónia).
