“Da escuridão à luz” na Caixa Forte do Banco de Portugal
De espaço fechado a sete chaves, a Caixa Forte do edifício do Banco de Portugal, em Leiria, ganha nova vida e passa a estar de portas escancaradas para os amantes da arte.
A partir do dia 02 de junho, a caixa forte abre portas à exposição “Da escuridão à luz”, da autoria Rute Violante, em que a fotógrafa aborda a prisão do ponto de vista conceptual de forma dualística: a visão da autoridade e da impossibilidade de fuga inerente à arquitetura de máxima segurança ou a visão subjetiva do recluso como uma possibilidade de libertação e evolução espiritual.
Esta mostra poderá ser visitada durante a semana das 09:30 às 12:00 e das 14:00 às 17:00, e aos sábados, domingos e feriados, das 09:30 às 12:30 e das 14:00 às 17:30, até 15 de agosto.
Nesta exposição, a autora propõe-nos um projeto de fotografia conceptual realizado através de imagens do edifício do ex-presídio militar de Santarém.
Este projeto apresenta-se como uma exploração imagética do espaço arquitetónico enquanto veículo de reconstrução e redenção do ser humano.
A autora investiga o conceito de vigilância inerente às prisões de estrutura panóptica, numa perspetiva crítica e utilizando o espaço “presídio” como uma metáfora para outras realidade sociais.
A dicotomia luz versus escuridão dissemina-se por todo o projeto. A luz como renascimento, reconstrução humana, amor, liberdade, absolvição, cura, espiritualização, equilíbrio, essência divina, redenção, etc... e a escuridão representando a sombra, o sofrimento, a destruição, a morte, a ausência de fé, o aprisionamento, a culpa, o pecado, o medo e a dor.
Na perspetiva da autoridade, a estrutura arquitetura panóptica do edifício representa uma estrutura de segurança máxima, através da qual existe “um olho que tudo vê”. Este esquema representa um “big brother” cada vez mais presente na sociedade de hoje na qual podemos estar a ser fotografados, filmados e controlados em cada movimento que fazemos, em cada decisão que tomamos. Ainda que em liberdade, mantemo-nos aprisionados por uma “torre” de controle invisível.
Na mente do “recluso”, a possibilidade de fuga, através da fé e/ou do desenvolvimento pessoal e espiritual. A redenção como um passaporte para a liberdade. A consciência como a fonte de luz. O renascimento pela compreensão de si e de tudo em seu redor. A perceção do sistema, prisional ou social.
A reclusão prisional é aqui perspetivada como uma reclusão espiritual, a prisão como uma igreja, uma mesquita, uma sinagoga ou qualquer outro local de culto e espiritualização. A cela do recluso como um portal para a fuga. A luz e a escuridão vistas como polos de um todo indivisível. A chave na consciência.
Uma parte do projeto foi fotografada com pinhole digital como forma de representação da luz ao fundo do túnel, a luz que entra pelo buraco de um alfinete. A metamorfose inicia-se na escuridão e a luz só se pinta com uma longa exposição.
A claustrofobia é mental. A liberdade também. Dentro de nós a possibilidade de fuga a cada momento.
E no silêncio, ouve-se apenas o som do bater das asas dos pombos no edifício, como um atalho simples para a elevação de consciência...
