Exposição Crossing Continents na Biblioteca de Leiria
Esta iniciativa integra as atividades da organização ‘Arts4people’, criada para desenvolver projetos ligados às artes e ajuda humanitária, no campo da expressão plástica.
Nesta exposição, a ponte entre a África (Angola), a Ásia (Bangladesh) e a Europa (Portugal) é feita com a apresentação dos trabalhos de oito artistas, alguns dos quais resultantes do segundo campo artístico promovido pela Arts4people e realizado em abril de 2022, em Vale Furado (Portugal).
O primeiro campo artístico foi realizado na aldeia de Belabo (Bangladesh), em fevereiro de 2020, integrando atividades com crianças e a abordagem da arte a partir de materiais orgânicos.
A exposição, de tema e técnica livres, integra trabalhos de oito artistas e pretende fazer o intercâmbio entre culturas, sendo exploradas diferentes técnicas e abordagens artísticas. Embora as culturas sejam distintas, a linguagem artística é universal e esbate a dificuldade de comunicação entre os participantes.
Ana Sílvia Malhado (Portugal) apresenta, entre outros trabalhos, uma instalação, intitulada Ode à Vida, produzida com saquetas de chá usadas, desenhadas, que pretendem alertar para a importância da preservação da biodiversidade.
Asif Uz Zaman (Bangladesh) explora a história de Pedro e Inês, patente num dos trabalhos e a sensação de sufoco vivida, em termos globais, no período de quarentena.
Cheila Peças (Portugal) procura a essência da criação artística enaltecendo a Natureza em constante renascer. Da união do inconsciente com a intemporalidade estética de um fragmento de paisagem fertiliza-se a criatividade, confirmando a sua própria existência.
M M Hasan (Bangladesh) utiliza uma linguagem abstrata em que as formas assumem a liberdade e deixam que o observador faça a sua análise.
Quizembe (Angola) apresenta trabalhos representativos das suas matrizes estéticas, ancoradas na arte Angolana. A sua pintura, composta pela convivência de múltiplas linguagens pictóricas, é cromaticamente vibrante e figurativa, e explora fundamentalmente o autorretrato num universo onírico e psicológico.
Sujon Khan (Bangladesh) interessa-se pela simplificação na representação da paisagem apelando ao jogo de formas e de cores, sendo essa a sua matriz pictórica.
Taowhid Hossain (Bangladesh) assenta o seu trabalho na paisagem do seu país. Cresceu na aldeia, sendo a água, os barcos no rio e a luz e sombra da Natureza fundamentais nas suas obras.
Vieira Pereira (Portugal) destaca que uma obra de arte não se baseia apenas no seu resultado final, no objecto em si, mas sim em toda a sua criação, sendo que o próprio processo pode também ser a obra.
