Exposição “Quase uma Vida” no Banco das Artes Galeria a partir de 18 de setembro
“Quase uma Vida”, projeto de Luiz Martins com a curadoria de Maria Fátima Lambert, reúne, aproximadamente 50 obras, entre desenhos, pinturas, esculturas e instalações, que vão estar patentes no BAG – Banco das Artes Galeria, entre 18 de setembro de 2022 e 22 de janeiro de 2023.
A exposição propõe um encontro do visitante com as obras que serão representadas por técnicas artísticas usuais de pintura, escultura, desenho, vídeos e instalações, reunidas exclusivamente para serem apresentadas no BAG.
A humanidade despida de suas línguas; a comunicação tomada pelo ruído; signos deslocados de significados, são um novo território que parece surgir diante dos olhos. “Uma terra povoada por sensações incapazes de ser apenas imagens, cheiro, sabor, toque ou som”, parece ser esta a terra que o artista idealiza.
O BAG foi cenário da residência artística que Luiz Martins desenvolveu em Leiria, durante cerca de dois meses. “Quase uma Vida” ocupa o espaço integralmente destinado ao desenvolvimento do projeto, numa cartografia que cria uma conexão entre a cidade e o indivíduo, num território físico e afetivo.
A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 09:00 às 17:30 e, ao sábado e domingo, entre as 9:00 e as 18:00.
Luiz Martins começou a residir em São Paulo aos 17 anos. Ali experimentou a dura vida da periferia, com os percalços e os inúmeros mecanismos de exclusão das populações marginalizadas.
As marcas desta trajetória aparecem no silêncio das formas por si criadas, com substituições simbólicas de um persistente processo de silenciamento, resgate de uma história ainda tão presente em situações do seu quotidiano.
O seu trabalho, mais gráfico que geométrico, apresenta estas formas por vezes a pairar sobre a escrita, expressão da cultura nos seus diversos cânones: folhas de dicionário, bíblia ou tabloides, representantes do discurso dominante do branco europeu, palavras que por tantas vezes se transformaram em instrumentos de violência literal e simbólica. Os materiais, as texturas, as “peles” e seres que habitam o universo do artista carregam este simbolismo.
