II Encontro Nacional de Guarda Rios debateu Proteção e Valorização dos Recursos Hídricos
Realizou-se esta quarta-feira, dia 9 de outubro, no Estádio Municipal de Leiria, o II Encontro Nacional de Guarda Rios. Aberto a estes profissionais o encontro contou, também, com a participação de técnicos e outros profissionais de âmbito municipal com interesse na área.
A sessão de abertura teve início pela Vice-presidente do Município de Leiria, Anabela Graça, seguida de Joana Teixeira, Coordenadora da Gestão de Recursos Hídricos e Ambientais das Águas e Energia do Porto e, João Alberty, em representação da APA ARH - Administração da Região Hidrográfica do Centro.
Ao longo da manhã, seguiram-se as apresentações "Estratégias da GNR na Proteção dos Recursos Hídricos", pelo 1.º Sargento Ricardo Nogueira, Chefe do NPA do Destacamento Territorial de Leiria; "Projeto Guarda-Rios de Guimarães”, por Vítor Coelho da Vitrus Ambiente; "Da Recuperação Ecológica das Linhas de Água à Valorização do território de Loures", por Nelson Batista, vereador da Câmara Municipal de Loures; "PERLA - Plano Estratégico de Reabilitação das Linhas de Água de Mafra", por Marta Gomes, vereadora da Câmara Municipal de Mafra e, "Guardiões do Rio Almonda", por João Miguel Trindade, vereador da Câmara Municipal de Torres Novas.
Para Anabela Graça "Hoje, mais do que nunca, precisamos dos Guarda Rios para protegerem e preservarem os nossos rios e ribeiras". Destacando que a equipa do Serviço Municipal de Vigilância Ambiental, registou já 1700 ocorrências, 74 das mesmas relacionadas com recursos hídricos, a vereadora da educação, referiu ainda que este encontro é uma oportunidade para discutir estratégias dos municípios presentes, que possam ser replicadas a nível nacional.
Joana Teixeira sublinhou a reativação, no Porto, da função de Guarda Rios, em 2017, devido à grande necessidade de identificar focos de poluição e realizar ações de manutenção das linhas de água para preservação e valorização dos recursos hídricos, agradecendo ao Município de Leiria ter aceitado o desafio que lhe foi lançado no primeiro encontro de Guarda-Rios para realizar o II encontro em Leiria.
Para João Alberty, da APA, os Guarda-Rios, com a sua presença no terreno constituem elementos de sensibilização, vigilância e criação de sinergias com entidades e populações, valorizando a temática da água como um recurso que tem de ser protegido e preservado durante todo o ano.
No âmbito das apresentações efetuadas pelos representantes de Guimarães, Loures, Mafra e Torres Novas, bem como do Núcleo de Proteção Ambiental (NPA) do Destacamento Territorial de Leiria da GNR, foram mencionadas preocupações comuns a todos os intervenientes no que se refere aos respetivos territórios, nomeadamente, as descargas de efluentes que comprometem a qualidade da água, práticas agrícolas inadequadas com a utilização de fitofarmacêuticos e fertilizantes, saneamento partilhado com águas pluviais e, também, o facto de ser importante libertar as margens e os leitos de vegetação que não fazendo parte do mosso Bioma, se torna prejudicial.
Entre as medidas adotadas pelo NPA está a operação "Clean Water" criada em 2020, com o principal objetivo de combater a poluição da Ribeira dos Milagres e que se estendeu a toda a Bacia Hidrográfica do Lis. Patrulhas apeadas no interior das linhas de água, recurso a drones, imagens térmicas para verificar os despejos de efluentes são medidas dissuasoras de comportamentos nocivos. Também os autos de contraordenação e a divulgação através da comunicação social têm representado uma mais-valia porque incentiva as populações a partilharem mais denúncias e inibe reincidências.
Os trabalhos da manhã foram encerrados pelo vereador do Ambiente e Proteção Civil, Luís Lopes, que agradeceu a participação dos presentes referindo que em todas as intervenções foram identificadas boas práticas adequadas aos diversos territórios. Salientou também a importância de, numa ótica de estratégia, ser criada legislação que enquadre a profissão de Guarda-Rios, de forma que esta atividade usufrua das condições necessárias ao seu desenvolvimento.
Para Luís Lopes ainda não estamos todos na "mesma frequência", existindo muita dificuldade no que se refere à implementação de medidas, sobretudo nas áreas rurais pertencentes a privados, mas em relação às quais têm de ser salvaguardadas algumas intervenções de caráter ambiental. "Só conseguimos ter pessoas focadas quando for uma questão geracional", concluiu.
Entre as 14h30 e as 17h, foram realizadas diversas atividades sobre plantas aquáticas (autóctones e invasoras).
