Leiria lamenta morte do presidente do Conselho Municipal de Nampula
Assim que foi conhecida a morte, por assassinato, do presidente do Conselho Municipal de Nampula, Mahamudo Amurane, o presidente da Câmara Municipal de Leiria remeteu àquele município a seguinte mensagem de pesar profundo:
A morte do presidente do Conselho Municipal de Nampula foi recebida com choque no Município de Leiria.
Mahamudo Amurane, foi sempre um amigo de Leiria, cujo dinamismo no estreitar de relações entre os dois municípios se revelou profícuo, em especial na economia e na cultura.
O assassinato de Mahamudo Amurane, um defensor da paz e da consolidação de uma democracia que almeja o desenvolvimento do território de Nampula e de Moçambique, é particularmente doloroso para o presidente e para todos os vereadores da Câmara de Leiria que com ele privaram.
O presidente do Conselho Municipal de Nampula foi sempre um anfitrião atencioso e um convidado interessado no âmbito das diversas ações que foram realizadas para afirmar e potencial a cooperações entre estes dois territórios.
Também aqui, neste âmbito, Mahamudo Amurane procurou sempre o que nos une e encurtou distâncias entre duas culturas, entre dois municípios, entre dois países.
É com mágoa e já com saudade que envio esta mensagem de condolências à família, aos eleitos de Nampula e ao povo que Mahamudo Amurane sempre procurou servir.
O presidente da Câmara Municipal de Leiria
Raul Castro
O Município de Leiria recorda que existe um Acordo de Cooperação e Amizade com Nampula que data já de agosto de 2002.
Em agosto de 2015, uma delegação de Leiria marcou presença em Nampula, nas comemorações dos 59 anos de elevação à categoria de cidade. Mais tarde, recebeu Mahamudo Amurane e a sua comitiva, cujos encontros serviram para abordar áreas como a Educação, Obras Municipais e Modernização Administrativa: http://www.cm-leiria.pt/frontoffice/pages/617?news_id=1963. Há um ano, trabalhos de crianças dos dois municípios motivaram uma exposição: http://www.cm-leiria.pt/frontoffice/pages/617?news_id=2255.
Sublinha-se a coerência e a determinação de Mahamudo Amurane, de 44 anos, que ainda recentemente, naquele que foi o seu último discurso, defendeu a ideia de um país cuja paz e democracia devem ser potenciadas através do desenvolvimento:
“De igual modo, não podemos imaginar a Paz somente no calar das armas sem considerarmos a verdadeira reconciliação nacional que deve revestir-se na verdade imbuída principalmente no perdão, na cultura de tolerância de ideias divergentes e nas atitudes de paz do povo moçambicano. Modelos de reconciliação nacional que tiveram sucesso em outros países com problemas similares aos nossos, como o modelo de reconciliação sul africano, deveríamos buscar o nosso aprendizado e termos a coragem de adotarmos e aplicarmos sem complexos na nossa situação da reconciliação nacional”.
Nampula é a confluência de importantes pontos rodoviários da região Norte, através de ramais que a ligam às províncias da Zambézia, Niassa e Cabo Delgado, o que lhe permite uma forte intervenção económica na riqueza do país e um desenvolvimento social acima da média moçambicana, o que lhe permitiu ultrapassar a cidade da Beira, que era considerada a segunda cidade do país.
O êxodo no período de guerra, das zonas rurais para a cidade, se inicialmente foi contraproducente e acarretou alguma desorganização pela manifesta incapacidade das infraestruturas existentes, levou a que, depois, corrigidas algumas assimetrias, se iniciasse um processo de desenvolvimento que catapultou a região a um lugar de destaque e de privilégio no contexto socioeconómico de Moçambique.
A partir do apoio que o Governo português tem proporcionado para a aproximação de cidades dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) com congéneres de Portugal, em 1998 foi alvitrada à Câmara Municipal a hipóteses de Nampula se vir a geminar com Leiria, pelo que foram encetadas diligências para esse fim.
