Leiria potencia talento de alunos sobredotados
Um grupo de 133 professores do primeiro ciclo do concelho de Leiria está a participar no projeto “Investir na Capacidade” que visa a identificação e apoio de alunos sobredotados e suas famílias, uma iniciativa do Município de Leiria em parceria com a Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (APCS).
“O que estamos aqui a fazer é a apostar no país”, disse esta quinta-feira em Leiria Helena Serra, fundadora da APCS, numa sessão de formação dos professores participantes, titulares de turmas dos 2.º, 3.º e 4.º anos 1.º ciclo de cinco agrupamentos de escolas e de um colégio aderentes ao projeto.
“Muitas destas crianças têm potenciais muito elevados em algum domínio, mas noutros estão ao nível ou até abaixo do esperado para a idade, e como ainda não está muito esclarecido o conceito de sobredotação importa atualizá-lo e desmistificar muitas ideias em torno destes alunos”, explicou a presidente da Associação.
Na sessão, os professores receberam formação para participarem, através de um instrumento científico, no processo de identificação de alunos sobredotados, que deverá ficar concluído até ao final do corrente ano letivo. Após esta fase, realiza-se uma reunião com os pais para explicar o programa, seguindo-se, a partir do próximo ano letivo, as sessões de trabalho com os alunos e famílias, da responsabilidade do Município de Leiria, numa articulação entre os Serviços de Educação e do desenvolvimento Social.
“As crianças em torno dessas atividades sentem-se acarinhadas na sua criatividade e originalidade”, explicou Helena Serra, acrescentando que, com este programa, os alunos tornam-se “bem mais felizes e mais livres na sua maneira de produzir ideias”.
“São crianças que, nestes espaços de interação com pares em características, se sentem muitíssimo mais estimuladas, reconhecidas, orientadas e felizes, em contradição com muito desencanto que passa por elas durante uma semana inteira à espera de colegas ou a ouvir de novo um conteúdo que descobriram sozinhas e que estão outra vez, em câmara lenta, a ser sujeitas a acompanhar”, exemplificou a fundadora da APCS.
Com este projeto, disse, pretende-se promover o desenvolvimento pessoal e social de crianças, que, sobretudo na fase da adolescência, vão agudizar o mal-estar.
“Importa impedir que isso aconteça para que o seu desenvolvimento seja salutar”, defendeu Helena Serra.
Referindo que este projeto se encontra a ser desenvolvido em Beja, Gaia, Leiria, Lisboa, Nelas e Porto, a responsável pela Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas destacou o papel que os municípios podem desempenhar na sua introdução nos agrupamentos escolares, tendo em conta o papel cada vez mais relevante que desempenham na área educativa.
A vereadora da Educação na Câmara Municipal de Leiria, Anabela Graça, destaca que o projeto procura dar resposta aos problemas sentidos pelas famílias de crianças sobredotadas e pela escola, sendo que o objetivo é diferenciar estratégias de intervenção com as crianças, valorizando os seus talentos, de modo a potenciar a sua melhor integração na escola, na família e na comunidade.
Talentos para o país
A importância que estes alunos podem ter para o país foi também realçada pela fundadora da APCS. “Inteligências superiores forçosamente têm produção superior se o seu desenvolvimento e crescimento tiver sido salutar”, disse, alertando, contudo, para o risco de muitos indivíduos com estas características caírem na marginalidade, porque houve falhas no seu contexto escolar ou familiar.
Segundo os estudos existentes, estima-se que a percentagem de crianças sobredotadas corresponda a uma taxa de três a cinco por cento da população infantil.
Refira-se que este projeto nasceu pela mão da APCS e do Departamento de Educação Especial da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, do Porto.
O que é uma pessoa sobredotada?
“Sobredotado é todo aquele indivíduo que, em comparação com os seus pares etários, tem desempenhos de excelência em alguma área do desenvolvimento humano. Mas realmente de excelência, não é apenas um pouco melhor, mas muitíssimo melhor que os seus pares”, diz Helena Serra.
A inteligência destes alunos pode manifestar-se em diversos campos, seja no linguístico, lógico-matemático, espacial, psicomotricidade, musical, científico, interpessoal e intrapessoal.
Quem participa no concelho?
No concelho de Leiria, aderiram ao projeto os agrupamentos de escolas D. Dinis, Dr. Correia Mateus, Marrazes, Caranguejeira - Santa Catarina da Serra, Rainha Santa Isabel e ainda o Colégio Conciliar de Maria Imaculada.
