Lino António: Pintor e professor moderno
Conhecido como um dos nomes mais destacados do segundo modernismo, Lino António da Conceição (Leiria, 1898 – Lisboa, 1974) estudou na Escola Industrial Domingos Sequeira, em Leiria. Após passagem meteórica pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, frequentou a partir de 1915 o Curso de Pintura da Escola de Belas-Artes no Porto, onde o fervilhar modernista contagiou a sua formação.
Realizou em 1918 uma exposição individual em Leiria, e em 1924 expôs na Sociedade Nacional de Belas-Artes em Lisboa.
No início da sua carreira integrou, em pleno, o modernismo e fez ilustração para livros e revistas como provavelmente para a Ícaro e sem dúvida para a Civilização e participou em trabalhos colectivos como a decoração do Bristol Club.
Das grandes encomendas públicas e colectivas que o ocuparam nas décadas seguintes, são representativos, entre muitos outros, os frescos da igreja de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa (1938) e a Via Sacra realizada em colaboração com Manuel Cargaleiro para a Colunata do Santuário de Fátima (1955).
A vida das gentes do litoral piscatório e da região leiriense foi muitas vezes representada de forma moderna, enquanto algumas encomendas serviam padrões de aproximação aos convencionalismos do regime.
Lino António desenvolveu uma prolífica carreira como professor, destacando-se a sua acção como Director da Escola de Artes Decorativas de António Arroio. Ali foi muito estimado pelos alunos que nele reconheciam não só um espírito aberto a novas tendências estéticas, mas também, como observa Sandra Leandro, um homem de plena dimensão humana, facto que sobressaia em tempos difíceis.
Sandra Leandro – curadora da exposição
