m|i|mo lança Ciclo de Conversas e Exposição 'Artistas na Fábrica' em Leiria até 2025
O m|i|mo – museu da imagem em movimento preparou um programa cultural que decorre até junho de 2025 e que inclui cinema, artes plásticas, literatura e fotografia, destacando-se o Ciclo de Conversas Artistas na Fábrica, no âmbito da exposição Artistas na Fábrica – Tereza Arriaga, Jorge de Oliveira, Manuel Filipe – 1943-1945, inaugurada a 15 de junho.
A primeira iniciativa, Leiria Cultural e Política I: As Artes, realiza-se já no próximo sábado, dia 26 de outubro, e inicia-se com uma visita orientada à exposição, conduzida por Raquel Henriques da Silva, historiadora de arte e uma das curadoras da exposição. O principal objetivo é explorar a dinâmica cultural, associativa e oposicionista que diversas individualidades e entidades desenvolveram em Leiria durante este período, bem como a relação com o contexto nacional. A conversa abordará também o contexto em que os três artistas criaram, em Leiria/Marinha Grande, obras extraordinárias de neorrealismo durante a II Guerra Mundial.
Manuel Filipe (1908-2002) destacou-se pela realização de impressionantes desenhos a carvão que retratam a dureza e o sofrimento de um operariado oprimido. Tereza Arriaga (1915-2013) e Jorge de Oliveira (1924-2012) basearam seu trabalho na observação direta. Tereza produziu dezenas de retratos de meninos-operários da Nacional Fábrica de Vidros – Marinha Grande, uma documentação inédita que será exibida na sua totalidade pela primeira vez. Jorge de Oliveira sonhava em transformar seus desenhos feitos na fábrica de cimentos de Maceira-Liz em um grande mural, inspirando-se nos pintores mexicanos que admirava.
As obras plásticas apresentadas são o cerne da exposição, que também inclui uma variedade de documentação escrita, fotografias, filmes e fontes orais, comunicando ao visitante o contexto histórico e social das obras. A exposição destaca as realidades fabris e elementos relevantes das biografias dos artistas, como a ligação de Jorge de Oliveira ao trabalho em cimento, a receção inicial dos Desenhos Negros de Manuel Filipe e o notável percurso ativista de Tereza Arriaga.
A exposição culmina com um núcleo dedicado à cidade de Leiria, onde os artistas participaram em exposições conjuntas e testemunharam o dinamismo cultural e político da cidade, também visível na Marinha Grande, refletindo a herança artística dos anos 1920 e 1930 e o espírito esperançoso do pós-guerra.
Idealizada pelo Prof. João Bonifácio Serra (1949-2023), que a propôs à Câmara Municipal de Leiria, a exposição reconhece a importância do trabalho destes artistas no neorrealismo português. Apesar de não ter podido concretizá-la, o Prof. João Bonifácio Serra é lembrado como um dos principais impulsionadores do projeto.
A curadoria da exposição Artistas na Fábrica está a cargo da Professora Doutora Raquel Henriques da Silva e da Doutora Emília Margarida Marques. Raquel é especialista em História da Arte em Portugal e tem um vasto currículo em museologia, enquanto Emília é investigadora associada no CRIA-Iscte, com foco em trabalho e identidade no contexto industrial.
O Município de Leiria, através do m|i|mo e em colaboração com o Museu de Leiria e as famílias dos artistas, com o apoio de numerosos parceiros locais e nacionais, concretizou esta exposição. Este projeto em rede entre os museus de Leiria terá a duração de um ano, durante o qual será desenvolvido um programa cultural que abrange artes plásticas, literatura, cinema e fotografia.
