Município de Leiria vai restaurar 39 obras de Lino António e Tereza Arriaga
A Câmara Municipal de Leiria vai avançar com a conservação e o restauro de 39 obras pertencentes ao património artístico municipal, da autoria dos pintores Lino António e Tereza Arriaga, no âmbito de um concurso público publicado esta semana em Diário da República. O procedimento comtempla a conservação e restauro de 37 obras em suporte papel e de duas pinturas de cavalete, com um preço base de 22.927,65 euros, acrescido de IVA.
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A decisão de intervir na conservação e no restauro deste conjunto de obras resulta de uma análise técnica e criteriosa, assente em princípios de rigor, ponderação e responsabilidade pública, tendo em conta as obrigações legais, culturais e patrimoniais que incumbem ao Município de Leiria.De sublinhar o facto de algumas das obras terem sido recentemente doadas ao Município, o que reforça a responsabilidade institucional na sua salvaguarda. A aceitação de uma doação patrimonial implica, nos termos da legislação de base do património cultural, o compromisso de garantir a conservação e valorização dos bens integrados no domínio público.Lino António e Tereza Arriaga são dois artistas com percursos relevantes, ainda que em escalas distintas, na história artística portuguesa do século XX. Natural de Leiria, Lino António (1898–1974) desenvolveu um percurso artístico profundamente ligado ao território e à vida cultural regional, com uma produção diversificada, abrangendo várias técnicas, estando amplamente representado em coleções públicas e privadas.
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As aguarelas e pinturas a óleo integradas no acervo municipal constituem testemunhos relevantes para a compreensão da identidade cultural de Leiria e da sua memória artística contemporânea.No caso de Tereza Arriaga (Lisboa, 1915 – Oeiras, 2013), a sua obra integra um conjunto de práticas artísticas progressivamente valorizadas no âmbito dos estudos dedicados à arte do século XX. As obras agora objeto de intervenção inserem-se num momento específico da sua produção, marcado pela articulação entre a prática artística e o contexto industrial. O desenho assume, neste contexto, particular importância enquanto meio de observação, registo e experimentação, pelo seu valor artístico, histórico e documental.Obras de Tereza Arriaga, assim como de Jorge de Oliveira e Manuel Filipe, integraram a exposição “Artistas na Fábrica”, patente no m|i|mo – museu da imagem em movimento de Leiria, entre junho de 2024 e novembro de 2025. Considerados artistas fundamentais do neorrealismo português, os três habitaram e trabalharam na região de Leiria, utilizando a arte como forma de resistência e denúncia entre 1943 e 1945.
