Narciso Costa: “Mestre” de todos Nós
Narciso Costa, 1890-1969, foi o mestre informal, o amigo e depositário de muitas confidências: “Depois lhe contaremos tudo, porque agora ainda temos poucas aventuras”, assim escreviam Luís Fernandes e Lino António ao fazerem a prova de ingresso para a Escola de Belas-Artes do Porto, em 1915.
Narciso Casimiro Costa (Braga, 1890 – Leiria, 1969) ingressou na École des Arts et Métiers de Genève, na Suíça em 1907, concluindo o curso da Section des Arts Indus-triels, em 1912. Recebeu diversos prémios, entre os quais dois de cinzelagem, ofício para o qual estava talhado.
Instalou-se em Leiria, em 1914, como professor de Desenho Geral na Escola Industrial Domingos Sequeira e dois anos depois tomou o lugar de Director e assumiu muitos outros cargos na cidade. Com António Varela criou o Atelier Técnico de Arquitectura e Decoração na década de 30. Apesar da prática artística multifacetada em campos tão diversos que vão da cinzelagem às artes gráficas não é arriscado afirmar que foi a sua acção como pedagogo a maior obra viva que concebeu.
Perfilhando tendências estéticas em que o rigor clássico dominava, ou, por contraste, em que a Arte Nova ou a Arte Déco imperavam, estava aberto e atento a novas experiências artísticas e sempre considerou a força do desenho. Figura marcante na cidade, como escreveu Carlos Eugénio: «a sua opinião artística era uma bíblia, servia de fecho a todas as dúvidas- “Narciso Costa disse “… e acaba-se o problema».
Sandra Leandro – curadora da exposição
