Paulo Jorge Coelho Carreira vence Prémio Literário Afonso Lopes Vieira
Paulo Jorge Coelho Carreira, residente na Batalha, é o vencedor do Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, na modalidade Poesia, com a obra “Lume”.
O Prémio, no valor de 5 mil euros, foi atribuído, por unanimidade, a “Lume”, após apreciação, pelo Júri, dos 96 trabalhos concorrentes, vindos de norte a sul de Portugal continental, e de países como Canadá, Suécia, França, Cabo Verde e Israel.
Fizeram parte do júri do Prémio Literário Afonso Lopes Vieira, como convidados externos, Cristina Nobre, escritora e Professora do Politécnico de Leiria, Manuel Frias Martins, ensaísta, professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários e Domingos Lobo (pseudónimo) escritor e membro da Associação Portuguesa de Escritores. Como convidado interno, David Arede, técnico superior do Departamento de Educação do Município de Leiria, fez também, parte do Júri.
Cristina Nobre considera que o trabalho “revela a qualidade de uma escrita enxuta e limpa, salpicada de chamas alimentadas pela escrita do poema, a relação amorosa, a casa, a infância, o corpo-paisagem, o caudal aquático”.
Para Manuel Frias Martins, “Lume revela um bom domínio da linguagem e uma aptidão muito interessante para a construção de imagens”.
Domingos Lobo, também ele escritor, considera que é um “Livro de um só poema, cuja unidade temática e suas derivações, permite aferir das capacidades discursivas e metafóricas do autor.”
Na opinião de David Arede, “o poeta serve-se de metáforas fortes, jogos de palavras, hipérboles, entre outras estratégias sintáticas, que dão ênfase aos sentimentos e amores da juventude” sendo a leitura do trabalho um “constante apelo aos sentidos”.
O Júri decidiu ainda, por unanimidade, não atribuir qualquer Menção Honrosa e propôs duas alterações ao Regulamento do Prémio Literário Afonso Lopes Vieira. A primeira proposta é retirar o n.º 2, do Art.º 4.º em que se determina que «Podem ser atribuídas menções honrosas, até ao limite de dois por cada edição, sem direito a qualquer valor pecuniário ou outro». A intenção é a de salvaguardar a qualidade média dos originais a concurso, nomeadamente favorecendo o aparecimento de concorrentes já com currículo e mesmo consagrados que, de outro modo, não concorriam para não correr o risco de ver o seu original proposto para uma simples menção honrosa. E retirar o Art.º 8.º que determina que «Cada concorrente apenas pode submeter uma obra a concurso», porque não faz sentido em virtude de os concorrentes se apresentarem a concurso sob pseudónimo e não ser permitido o ex-aequo.
O Prémio Literário Afonso Lopes Vieira voltará a ser editado dentro de dois anos na modalidade de novela e conto.
Paulo Jorge Coelho Carreira, conhecido no meio literário por Paulo Assim, nasceu em 1965, na aldeia de Casais de Além, freguesia de Calvaria de Cima, concelho de Porto de Mós, e vive na Batalha.
A sua obra tem sido reconhecida através da atribuição de diversos prémios literários nas categorias de romance, conto e poesia, nomeadamente “A Quinta-feira dos Pássaros”, que recebeu os prémios Paul Harris 2005 (Rotary Club de Faro) e Gaspar Fructuoso 2009 (Ribeira Grande, Açores), “Celulose”, agraciado com o Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres 2010, “Mão sobre os olhos”, que obteve o Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres 2011, e “Retrato a sépia”, ganhador do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, em 2011. Em 2012, o livro “A aviaras” recebeu o Prémio Literário Horácio Bento Gouveia e, em 2013, viu várias obras suas serem galardoadas: “De corpo para corpo” (Prémio Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage), “Póvoa de Varzim ou O Paraíso Aqui” (Prémio Literário Fundação Dr. Luís Rainha, Correntes d’ Escritas), “Livro de Família” (Prémio de Poesia Raul de Carvalho) e “Árvore Genealógica” (Prémio de Poesia Soledade Summavielle), do Núcleo de Artes e Letras de Fafe.
Em 2017, venceu o Prémio Literário Cidade de Almada com o livro de poesia “Estado Febril”.
