Protocolo promove património cultural e natural do Vale do Lapedo
O Município de Leiria assinou, esta segunda-feira, um protocolo com a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), com o objetivo de criar um programa de interpretação e comunicação que promova junto do público a importância do Vale do Lapedo, uma cerimónia que contou com a presença do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e da secretária de Estado da Cultura, Isabel Cordeiro.
A cerimónia foi aberta por João Zilhão, professor universitário, ligado, desde o início, aos trabalhos de arqueologia desenvolvidos no Vale do Lapedo e que destacou a importância mundial, das escavações ali efetuadas, com a consequente descoberta do “Menino do Lapedo”.
“Ainda pouco valorizado junto da população, este vale, em especial o Abrigo do Lagar Velho, constitui o nosso legado mais importante”, afirmou Gonçalo Lopes, que destacou ser o esqueleto da criança descoberto naquele local, um achado único, a nível nacional e internacional, por corresponder a um Homo Sapiens que apresenta também características morfológicas que se aproximam das observadas nos neandertais.
“Este, que é o testemunho mais precioso da construção de civilização e de humanidade no nosso território, encerra uma mensagem de valor elevadíssimo para os dias de hoje: Todos somos miscigenação: ou seja, todos somos árvore da mesma raiz.”, concluiu o presidente.
Pedro Adão e Silva destacou a importância da assinatura deste protocolo para a valorização, proteção e divulgação do Vale do Lapedo, nomeadamente do Abrigo do Lagar Velho, ressalvando o importante trabalho desenvolvido pelas equipas que revelaram este achado, fundamental para entender um pouco mais a história da humanidade.
No âmbito da parceria entre o Município de Leiria e o Ministério da Cultura, através da Direção Geral do Património Cultural, será criado um Grupo de Projeto que deverá conceber, estruturar e propor um programa de interpretação e comunicação relativo ao Vale do Lapedo, no conjunto das suas valências cultural e natural, de uma importância extraordinária para a compreensão da evolução humana e da história dos primeiros hominídeos na Península Ibérica.
Uma proposta de ‘storytelling’ (narrativa) para o lugar permitirá que o Vale do Lapedo possa constituir-se como um destino de conhecimento da pré-história, das importantes descobertas arqueológicas e vestígios materiais e, também, de fruição pública do lugar e do património natural envolvente.
O Vale do Lapedo
O Vale do Lapedo preserva em si uma fantástica fauna e flora autóctones de enorme beleza natural. Definido por um estreito vale em forma de canhão que expõe o maciço calcário, integra o sítio arqueológico do Abrigo do Lagar Velho, classificado como Monumento Nacional em 2013.
Nesta jazida têm vindo a ser estudados os vestígios relacionados com a presença de grupos de caçadores-recoletores nómadas durante o Paleolítico Superior, tendo merecido amplo destaque internacional a descoberta, em 1998, de uma sepultura infantil onde foi exumado um esqueleto pertencente a uma criança com cerca de quatro anos de idade, datada de há cerca de 29.000 anos.
Este achado veio a revelar-se do ponto de vista histórico e científico de extrema relevância para o conhecimento sobre as populações humanas daquele período, dado o esqueleto apresentar características de Homo sapiens sapiens e Homo neanderthalensis, chegando desta forma aos nossos tempos como um dos primeiros híbridos alguma vez identificados no mundo. Já em 2021, o esqueleto da “Criança do Lapedo e os artefactos arqueológicos associados” foram classificados como Bem de Interesse Nacional/” Tesouro Nacional”.
