Vereadora alerta para preconceito contra vítimas de violência doméstica
A vereadora do Desenvolvimento Social da Câmara Municipal de Leiria, Ana Valentim, disse esta quinta-feira, na sessão de abertura do seminário "Violência Doméstica: O debate que se impõe!", que a sociedade não está a conseguir proteger convenientemente as vítimas de violência doméstica.
“Apesar de termos um quadro legal de muita qualidade ainda temos de trabalhar ao nível da intervenção”, disse Ana Valentim, num seminário promovido pelo Município de Leiria e pela Mulher Século XXI – Associação de Desenvolvimento e Apoio às Mulheres.
“Não tenho dúvidas que estamos todos motivados para enfrentar este problema, sejam as forças policiais, as instituições de solidariedade social ou as organizações não governamentais”, realçou Ana Valentim, considerando que é necessário dar o passo seguinte e perceber que a violência doméstica é um problema que todos temos obrigação de denunciar.
Na sua intervenção, Ana Valentim disse que existe uma rede de apoio às vítimas, destacando o papel do Município nesta área, nomeadamente ao nível do acesso à habitação, mas alertou para o preconceito que ainda existe em relação à vítima, um problema que não é exclusivo das classes sociais mais baixas.
O comandante do Comando Distrital da Guarda Nacional Republicana de Leiria, Jorge Caseiro, realçou que a violência doméstica é “um problema que não tem género”, sendo necessária uma mudança de atitudes e comportamentos.
“É aterrador o número e violência dos episódios de violência doméstica que ocorrem no dia-a-dia” no país, acrescentou.
Paulo Quinteiro, comandante Distrital da Polícia de Segurança Pública de Leiria, disse que o número de casos de violência doméstica tem vindo a crescer nos últimos cinco anos. Na área da PSP no distrito, em 2013 registaram-se 308 casos violência, número que subiu para 357 em 2017, sendo as mulheres a vítima em 84% dos casos.
“Este é um fenómeno social, que está muito enraizado nas práticas culturais de muitas pessoas e temos de alterar esses comportamentos. Diz-se muitas vezes que a casa, nas sociedades mais modernas, é o local mais violento. Temos de tornar as nossas casas mais seguras”, disse.
A diretora do Centro Distrital da Segurança Social de Leiria, Maria do Céu Mendes, realçou a importância de a violência doméstica ter sido tipificada como crime público, o que faz da denúncia “uma questão cívica”.
Na sua intervenção manifestou ainda grande preocupação em relação à violência sobre os idosos.
“O estatuto social do idoso encontra-se muito fragilizado e os estigmas sobre a velhice ameaçam transformar o idoso num ser descartável”, disse, acrescentando que existem várias formas de violência a que está sujeito, desde maus tratos físicos, psicológicos, sexuais, materiais, financeiros, privação de alimentos ou medicamentos e negligência por abandono.
