Leiria reúne centenas de mediadores culturais e artísticos para debater o futuro da Rede M
O Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, acolhe esta quarta-feira, 21 de outubro, o 2.º Encontro da Rede M — Rede Nacional de Mediadores Culturais e Artísticos, uma iniciativa promovida pelo Plano Nacional das Artes (PNA), que reúne centenas de profissionais de todo o país, presencialmente e online, para debater os próximos passos na constituição desta rede nacional.
A sessão de abertura contou com a participação do Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, da vice-presidente da Câmara Municipal de Leiria e vereadora da Cultura e Educação, Anabela Graça, do comissário do Plano Nacional das Artes, Paulo Pires do Vale, e da subcomissária, Sara Brighenti.
Na sua intervenção, Anabela Graça agradeceu ao Plano Nacional das Artes a escolha de Leiria para acolher este segundo encontro, destacando o trabalho desenvolvido na construção de novas relações entre a educação, a cultura e os territórios.
«Em Leiria, temos procurado traduzir esta visão em projetos continuados, partindo de uma convicção: a educação e a cultura são dimensões inseparáveis no desenvolvimento humano», afirmou.
A autarca destacou o envolvimento de todas as escolas do concelho no Plano Nacional das Artes, bem como a participação de muitas delas no Plano Nacional de Cinema, através do Museu da Imagem em Movimento. Referiu ainda que todas as crianças dos jardins de infância públicos do concelho têm, semanalmente, atividades de música e dança, numa aposta no contacto com as expressões artísticas desde os primeiros anos de vida.
Neste contexto, sublinhou o papel dos profissionais da mediação cultural e artística enquanto agentes fundamentais na aproximação da cultura às pessoas. «O mediador é um elo fundamental. Agrega públicos e descodifica o que parece inacessível, para que o olhar crítico e o prazer da arte sejam de todos», salientou.
Anabela Graça reafirmou ainda a importância de construir um território onde a cultura faça parte da vida das pessoas, o acesso às artes e ao património seja um direito de todos e cada cidadão tenha a oportunidade não apenas de usufruir da cultura, mas também de participar na sua construção.
Por sua vez, o Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, destacou o trabalho desenvolvido pela equipa do Plano Nacional das Artes, considerando este processo um exemplo de trabalho em rede. «Instituir uma rede reclama um especial cuidado: o de lhe dar forma sem lhe retirar a liberdade», afirmou, manifestando confiança na capacidade dos participantes para encontrar esse equilíbrio.
Na parte final da sua intervenção, recuperou a ideia de «curar o comum», associando-a ao trabalho dos mediadores culturais na aproximação das pessoas às artes e ao património. Destacou o papel destes profissionais na criação de espaços de participação e pertença, através de um trabalho muitas vezes invisível, mas essencial para tornar a cultura acessível a diferentes públicos.
Alberto Santos considerou que a Rede M poderá contribuir para dar maior reconhecimento e expressão pública ao trabalho dos mediadores culturais e artísticos, assegurando que o Governo se compromete a acompanhar este percurso.
Promovida pelo Plano Nacional das Artes, a Rede M pretende valorizar e dar maior visibilidade aos profissionais da mediação cultural e artística, reforçar o seu reconhecimento nas instituições e na sociedade e promover a sua participação na definição das políticas culturais.
A criação desta rede resulta de um processo de auscultação dos profissionais do setor, iniciado com um inquérito nacional destinado a conhecer as suas práticas, condições de trabalho, necessidades e expectativas.
A este diagnóstico seguiu-se um primeiro encontro, realizado em abril deste ano, que reuniu 572 participantes e permitiu identificar cinco áreas prioritárias: formação, visibilidade, reconhecimento e integração estratégica, condições de exercício profissional e afirmação de uma voz coletiva nas políticas culturais.
Ao longo desta quarta-feira, o programa inclui sessões dedicadas aos resultados do inquérito nacional, ao futuro da mediação cultural e artística e aos possíveis modelos de constituição formal da Rede M.
Durante a tarde, os participantes integram grupos de trabalho dedicados à organização da futura rede, à comunicação e visibilidade dos profissionais, ao reconhecimento do papel dos mediadores nas instituições e às necessidades de formação contínua.
As propostas resultantes destes grupos de trabalho deverão contribuir para a definição dos próximos passos da Rede M, uma medida integrada no Plano de Ação Estratégico do Plano Nacional das Artes 2024–2029.
