Centro Histórico
«Toda a cidade é sempre, como dizia o poeta, "composta de mudança, tomando sempre novas qualidades", ou melhor, novas características, e Leiria é hoje, no panorama nacional e europeu, um centro urbano de inegáveis potencialidades.
Se o papel que desempenhou no seu passado foi naturalmente variável ao longo do tempo, mostra-se, no início deste século, com um crescimento significativo, consequência da situação geográfica que ocupa o território nacional.
Possui, atualmente, um tecido urbano estruturado, cujo conhecimento é de vital interesse para todos os que a usufruem, quer os responsáveis dos vários níveis de gestão do espaço urbano quer, de igual modo, o cidadão comum.»
(António Moreira de Figueiredo, in Cidade de Leiria - Tamanho e Desenho, 2024)
O primeiro núcleo da cidade surge, por razões defensivas, no séc. XII, em plena reconquista do território aos mouros, com a edificação do castelo em 1135 por D. Afonso Henriques.
O crescimento extra-muros deu-se primeiro a norte, no sopé do morro do Castelo, e depois para sul, no vale junto ao rio, em torno da Igreja de S. Martinho.
A 13 de Junho de 1545, Leiria foi elevada a cidade, sendo objeto de 2 importantes acontecimentos: a demolição da Igreja de S. Martinho, que deu origem à abertura da Praça de S. Martinho, hoje denominada Rodrigues Lobo e a construção da Sé.
No séc. XVIII, são executadas as obras de regularização do leito do rio, que o desviaram 100 metros para sul, permitindo criar o Rossio.
Já no séc. XIX, destacam-se: a destruição provocada pelas Invasões Francesas, a demolição do palácio dos Vila-Real, que permitiu a abertura, a sul, da Praça Rodrigues Lobo e uma ligação mais franca ao Rossio, bem como a abertura de novos arruamentos para facilitar a circulação.
O Centro Histórico que hoje conhecemos é um legado sobretudo do séc. XIX, já que a maior parte do edificado é dessa altura, embora persista a matriz da malha urbana medieval.
E, apesar das mudanças operadas no Centro Histórico a partir da 2.ª metade do séc. XX, esta zona continua a ser a “alma” da cidade.
É aqui que estão os seus principais elementos identitários, é um local de excelência para o encontro social e para as atividades lúdicas, tanto espontâneas como planeadas.
Esta dinâmica social, mais acentuada em determinados espaços, fruto de investimentos públicos e privados nas últimas décadas e de maior sensibilidade populacional para questões histórico-patrimoniais, é transversal a todas as faixas etárias e classes sociais.
Apesar dos problemas existentes, tem-se assistido a alterações que evidenciam que o Centro Histórico não pertence só ao passado, continua a readaptar-se à nova realidade económica, social e cultural.
Na dimensão socioeconómica constata-se que há indicadores positivos, que revelam uma certa dicotomia em termos etários e habilitacionais, quer seja ao nível da população residente, da população que ali trabalha ou da que simplesmente utiliza este local para fins culturais e de lazer.
De facto, à população residente envelhecida junta-se um número significativo de jovens que escolheu este local para viver. Esta realidade mantém-se no setor económico, sendo representativa a percentagem de jovens comerciantes com habilitações superiores.
Os investimentos feitos nesta zona da cidade devem-se ao reconhecimento de uma identidade própria, potenciadora de mais-valias para o sucesso da sua atividade.
O Estudo Sociodemográfico de 2006 permitiu conhecer melhor os moradores e transeuntes, estimando que a sua população se situe nos 890 habitantes.
O levantamento funcional do centro histórico da cidade de Leiria, elaborado em 2012, revelou que na zona mais central, correspondente aproximadamente ao Largo das Forças Armadas/ Praça Goa Damão e Diu e Praça Rodrigues Lobo, detentora de maior dinamismo económico e social, as lojas/estabelecimentos têm uma imagem forte e cuidada.
Na zona correspondente ao eixo do Largo Cândido dos Reis / Rua Barão de Viamonte e às transversais que fazem a ligação deste com a Praça Rodrigues Lobo, o comércio, sobretudo o mais antigo, crucial para a identidade do comércio de rua, apresenta uma imagem mais desqualificada, com muitos espaços devolutos.
A contrariar esta tendência há iniciativas de jovens empresários que abrem espaços comerciais alternativos, sendo também de salientar um certo dinamismo nos estabelecimentos de restauração e bebidas.
Ao nível da utilização dos pisos superiores, na zona comercial, a maior parte é habitação, embora prevaleçam os espaços devolutos, sendo reduzido o número de comércios e serviços.
Entre abril e setembro de 2012, em termos de dinâmica económica, medida através dos estabelecimentos que abriram e fecharam no rés-do-chão, constatou-se que a situação é de equilíbrio porque o número de espaços que fechou é próximo do número de espaços que abriu.
📃 Caraterização da ARU - Edificado e População, 2013
📄 Breve caraterização socioeconómica
📃 Levantamento Funcional do Centro Histórico - nível zero - setembro de 2012
📃 Levantamento funcional do Centro Histórico - pisos superiores - novembro de 2012
📃 As pessoas e o Centro Histórico, 2008
📃 Estudo Sociodemográfico, 2006
(Informação em atualização)
